terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Comentário sobre o texto “As mídias na Educação” de José Manuel Moran

O artigo de Moran discute vários pontos interessantes que relacionam as ditas novas e nem tão novas, tecnologias e a função do professor em sociedades com dificuldades econômicas, como a nossa.
Para ele o computador na escola, e mesmo a televisão são instrumentos extremamente interessantes por facilitarem a transmissão do conhecimento. No entanto ele alerta que a construção do conhecimento não se dá somente pela transmissão, mas através da interação com o professor, quando este colabora na leitura destes “conteúdos” auxiliando que o aluno aja sobre esses objetos de forma crítica e assim constituindo seu conhecimento com eles.
De acordo com sua argumentação, o computador não deve ser visto como um salvador da pátria, como se o simples fato de ter computadores nas escolas, resultasse necessariamente na melhoria da educação em nosso país. Em contra partida, ele acredita na importância do computador e mesmo da televisão na escola, não só pelo acesso a novas e muitas informações, mas pela ludicidade que esses instrumentos carregam em si.
Uma de suas falas, mais relevantes, esta em alertar que a escola ao incorporar essas ferramentas, não seja “desmancha prazeres”, ou seja, que antes de pasteurizar esses veículos, ela deve buscar se aliar ao formato dos programas que a televisão traz, por exemplo. Para ele, tratam-se de espetáculos aos quais as criança e jovens já estão acostumados, dominam e consideram algo prazeroso. Desse modo, haveria ai uma ótima oportunidade de tornar o meio escolar mais prazeroso a criança, sem que para isso esses programas fossem incorporados de uma forma direta, mas sim de uma foram critica.
Podemos pensar que suas idéias são relevantes, não só para melhorar o ambiente na escola, mas também, as ampliando, para o desenvolvimento moral de nossa sociedade. Isto ocorreria na medida em que essas crianças passariam a refletir de forma critica sobre os conteúdos da Internet e da televisão. Esta nova possibilidade de pensar sobre os valores que a tv “transmite” (ou melhor, defende), permitiria a essas pessoas e talvez a quem convive com elas, não simplesmente os tomarem para si, mas pensar questões como: Porque eles colocam isso como o certo? Será que eu concordo? Será que isso é o melhor modo de agir em minha vida e em minha sociedade?
Esse texto me fez lembrar de quando era criança, no inicio da década de oitenta. Na época tínhamos apenas um canal de destaque na televisão e estávamos ainda na ditadura militar. Em minha casa então assistíamos o jornal da noite, com minha mãe que era professora de história e ela ia comentando cada notícia comigo e com minha irmã. Ela perguntava o que aconteceu nessa história que eles contaram? Será que foi mesmo assim? Vocês acham que eles contaram dessa forma por algum motivo especial? Haveria outras formas de contar esse mesmo fato?
Ao lembrar destas minhas aulas noturnas de história e infelizmente talvez as únicas marcantes em minha infância, tendo a dar razão ao autor e assim como ele, acreditar que a tv, ou hoje o computador, não são milagres em si, mas podem ser extremamente úteis ao aprendizado de uma criança.

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