quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Breve reflexão sobre a relação entre os conhecimentos construídos em minha pesquisa de mestrado e minhas percepções no trabalho como tutora.

Meu trabalho durante o mestrado pesquisou como um professor pode ocupar o lugar de adulto significativo/respeitado e ser relevante no processo de constituição da moral do adolescente, através das representações dos alunos, tendo como principal referencial teórico a Epistemologia Genética, em especial o desenvolvimento moral na obra de Jean Piaget.
Para a constituição da dissertação busquei compreender como se dão às relações de aprendizagem, que colaboram para o desenvolvimento do aluno e relacioná-la com os dados colhidos. Após sua coleta, os dados foram organizados em casos constituídos de um professor e os alunos que o escolheram como o mais significativo, buscando determinar as características da relação que se estabelece entre os alunos e este professor que fez diferença em suas vidas.
O resultados obtidos indicaram que o professor que pode fazer a diferença para a constituição da moral da autonomia do adolescente é aquele que favorece que se estabeleçam relações de cooperação e respeito mútuo, sendo necessárias características de afeto e particularidade nestas relações.
Generalizando o compreendido para o desenvolvimento do aluno como um todo, conclui que para a constituição da aprendizagem são necessárias que se estabeleçam esse tipo de relação.
Quando comecei a trabalhar como tutora no curso de pedagogia à distância da UFRGS, passei a me questionar sobre de que forma se constituíram as relações entre professor e aluno intermediadas pelo tutor. Partindo da idéia de as aprendizagens do aluno, em muito são baseadas na relação como professor, passei a me perguntar, como isto se diluirá na relação entre professo-tutor-aluno. Quais seriam os papeis assumidos e conferidos pelo outro a cada um destes elementos, ou seja, de que forma a relação de aprendizagem, com seus vínculos e afetos necessários se constituiria.
Na realidade, ainda não tenho uma resposta para esta pergunta, mas a observação me permitiu formular a hipótese, de que vínculos de afeto/respeito se estabelecem da mesma forma, tanto com o professor, quanto com o tutor. Sendo que, talvez, em alguns casos, esta relação mais significativa ocorra de fato primordialmente com a figura do tutor.
Trabalhar em uma modalidade de ensino à distância, trouxe também a necessidade de pensar quais as possibilidades de vínculo em uma aula não presencial. Ao que conclui, de um modo ainda provisório, mas bastante surpreendente para mim, o quanto estar à distância (ou perto apenas através da rede) não impede que se estabeleça o mesmo tipo relação significativa em termos de aprendizagem. Relações estas pautadas pela cooperação, pelo afeto e pelo respeito mútuo.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Comentário sobre o texto “As mídias na Educação” de José Manuel Moran

O artigo de Moran discute vários pontos interessantes que relacionam as ditas novas e nem tão novas, tecnologias e a função do professor em sociedades com dificuldades econômicas, como a nossa.
Para ele o computador na escola, e mesmo a televisão são instrumentos extremamente interessantes por facilitarem a transmissão do conhecimento. No entanto ele alerta que a construção do conhecimento não se dá somente pela transmissão, mas através da interação com o professor, quando este colabora na leitura destes “conteúdos” auxiliando que o aluno aja sobre esses objetos de forma crítica e assim constituindo seu conhecimento com eles.
De acordo com sua argumentação, o computador não deve ser visto como um salvador da pátria, como se o simples fato de ter computadores nas escolas, resultasse necessariamente na melhoria da educação em nosso país. Em contra partida, ele acredita na importância do computador e mesmo da televisão na escola, não só pelo acesso a novas e muitas informações, mas pela ludicidade que esses instrumentos carregam em si.
Uma de suas falas, mais relevantes, esta em alertar que a escola ao incorporar essas ferramentas, não seja “desmancha prazeres”, ou seja, que antes de pasteurizar esses veículos, ela deve buscar se aliar ao formato dos programas que a televisão traz, por exemplo. Para ele, tratam-se de espetáculos aos quais as criança e jovens já estão acostumados, dominam e consideram algo prazeroso. Desse modo, haveria ai uma ótima oportunidade de tornar o meio escolar mais prazeroso a criança, sem que para isso esses programas fossem incorporados de uma forma direta, mas sim de uma foram critica.
Podemos pensar que suas idéias são relevantes, não só para melhorar o ambiente na escola, mas também, as ampliando, para o desenvolvimento moral de nossa sociedade. Isto ocorreria na medida em que essas crianças passariam a refletir de forma critica sobre os conteúdos da Internet e da televisão. Esta nova possibilidade de pensar sobre os valores que a tv “transmite” (ou melhor, defende), permitiria a essas pessoas e talvez a quem convive com elas, não simplesmente os tomarem para si, mas pensar questões como: Porque eles colocam isso como o certo? Será que eu concordo? Será que isso é o melhor modo de agir em minha vida e em minha sociedade?
Esse texto me fez lembrar de quando era criança, no inicio da década de oitenta. Na época tínhamos apenas um canal de destaque na televisão e estávamos ainda na ditadura militar. Em minha casa então assistíamos o jornal da noite, com minha mãe que era professora de história e ela ia comentando cada notícia comigo e com minha irmã. Ela perguntava o que aconteceu nessa história que eles contaram? Será que foi mesmo assim? Vocês acham que eles contaram dessa forma por algum motivo especial? Haveria outras formas de contar esse mesmo fato?
Ao lembrar destas minhas aulas noturnas de história e infelizmente talvez as únicas marcantes em minha infância, tendo a dar razão ao autor e assim como ele, acreditar que a tv, ou hoje o computador, não são milagres em si, mas podem ser extremamente úteis ao aprendizado de uma criança.

Conceito da atividade de tutoria e principais diferenças da atividade do professor

Meu trabalho como tutora, inclui diversas atividades, entre elas estão acompanhar as atividades realizadas pelos alunos e dar um retorno sobre elas de acordo com a orientação do professor, auxiliar os alunos na organização das datas, tirar duvidas sobre as atividades, passar ao professor questões que os alunos me apresentem sobre a teoria da musica e procurar aprender sobre a matéria da intedisciplina para melhor auxiliá-los. Uma atividade muito importante também é trabalhar o vinculo com o aluno, mantendo uma relação de respeito mútuo com os eles, valorizando suas conquistas e questionando suas idéias para que possam refletir sobre seu aprendizado e sua prática. Uma outra atividade relevante é permitir que o professor tenha uma idéia mais clara de como o grupo esta respondendo as atividades proposta e auxiliar na busca de soluções para as dificuldades que surgem nesta caminhada.
A maior diferença entre as atividades do tutor e do professor esta em que, o professor é responsável pela organização da disciplina, pelas atividades que são propostas e pelo conteúdo a ser trabalhado. Já o tutor tem sua maior responsabilidade no atendimento ao aluno e no auxilio ao professor.